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“A Igreja deve promover consciência social e democrática”, afirma cardeal na Assembleia da CNBB

Reflexões em Aparecida destacam o papel da Igreja na formação crítica da sociedade e na vivência responsável da democracia

Há 22 horas - por da redação com Vatican News
Cardeal Jaime Spengler / foto: Vatican Media
Cardeal Jaime Spengler / foto: Vatican Media

Em Aparecida, onde fé e história se entrelaçam, os bispos reunidos na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil iniciaram seus trabalhos a partir de um tempo de silêncio, oração e escuta. Antes das decisões, a Igreja no Brasil se colocou em atitude de discernimento, reconhecendo que sua missão nasce do encontro com Cristo e se traduz em compromisso com a realidade.

O retiro espiritual que antecedeu os debates foi conduzido por Dom Armando Bucciol, que convidou os participantes a retomarem o essencial da vida cristã: o seguimento de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Em suas reflexões, destacou o zelo pastoral, a coragem evangélica — a parresia — e o serviço como expressão autêntica da autoridade na Igreja. Inspirado no gesto de Cristo que lava os pés dos discípulos, recordou que liderar, no horizonte cristão, é sempre servir.

Mas o horizonte da Assembleia não se limita ao interior da vida eclesial. Em diálogo com a imprensa, o cardeal Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, apontou para a responsabilidade da Igreja diante da sociedade, especialmente em um contexto marcado por tensões e desafios democráticos.

“A Igreja tem um papel moral, mas também de promoção de consciência — consciência social e consciência democrática”, afirmou.

A fala ecoa um chamado urgente em um tempo em que a informação, muitas vezes, se torna campo de disputa e manipulação. Nesse cenário, a comunicação ganha centralidade não apenas como meio, mas como espaço de formação da consciência crítica. Ainda no primeiro dia da Assembleia, foi ressaltado o papel dos comunicadores na construção de uma sociedade mais consciente, capaz de interpretar a realidade para além das aparências.

Entre os temas que mobilizam os bispos está a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja universal, o processo busca integrar as orientações do Sínodo sobre a Sinodalidade à realidade brasileira, evitando caminhos fragmentados e apostando em uma visão mais orgânica e integrada da missão.

Para o cardeal Spengler, esse esforço não é apenas técnico ou organizacional, mas profundamente espiritual e pastoral: “Não se trata de caminhos justapostos, mas de um caminho integrado”, destacou, sinalizando o desejo de uma Igreja que caminha unida, discernindo os sinais dos tempos.

Outro ponto de atenção é a evangelização da juventude. O documento dedicado ao tema, já em processo de revisão, busca responder às novas realidades das gerações atuais, exigindo linguagem, metodologia e presença renovadas. Trata-se de um dos desafios mais sensíveis para a Igreja hoje: dialogar com jovens em um mundo marcado por rápidas transformações culturais e digitais.

Ao refletir sobre o momento político do país, especialmente com a proximidade das eleições, o presidente da CNBB sublinhou a importância da responsabilidade coletiva. Para ele, o processo eleitoral é uma oportunidade privilegiada para que a sociedade manifeste seus valores e seu projeto de futuro.

“As escolhas precisam estar pautadas pelo senso de pertença à nação e pela corresponsabilidade pelo futuro”, afirmou, destacando a necessidade de uma política comprometida com o bem comum, a justiça social e a dignidade dos mais pobres.

Nesse horizonte, a Igreja se apresenta não como protagonista político-partidária, mas como presença ética e formadora. Seu papel é iluminar consciências, promover o diálogo e oferecer à sociedade os princípios da Doutrina Social da Igreja, ainda pouco conhecidos, mas profundamente necessários.

Entre oração, reflexão e compromisso, a Assembleia dos bispos revela uma Igreja que busca permanecer fiel à sua vocação: ser presença no mundo sem se confundir com ele, ajudando a construir caminhos de justiça, diálogo e esperança — onde a fé se traduz em responsabilidade e o Evangelho se torna critério de vida social.

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